quarta-feira, 29 de abril de 2009

SUA EXCELÊNCIA ESTÁ DE LADO !!

Estive, como já não estava à muito tempo, nas comemorações do 25 de Abril e assisti à sessão solene, no salão nobre dos Paços de Concelho.

Constatei a pouca adesão popular às manifestações o que nos poderia transportar para uma dissertação sobre a evocação de Abril face às múltiplas alterações de índole sócio-política desde então. Não é porém disso que pretendo falar agora.

Ouvi com atenção as intervenções dos representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal, bem como os dos senhores Presidentes da Assembleia e Câmara Municipal, uns mais idealistas, outros mais circunstanciais e outros ainda mais híbridos, algo confusos até.

Também não pretendo falar da forma como decorreu a homenagem feita aos Presidentes de Assembleia Municipal desde Abril. Está feita e pronto.

Mas a nota que quero deixar e que justifica a foto que junto, é que reparei que o quadro de Sua Excelência o Presidente da República estava afixado numa parede lateral, meia dissimulada por um armário, nem se vendo de alguns pontos do salão. E eu, que já a vi noutro local, por detrás da mesa da Presidência da Assembleia, bem do lado do brasão de armas do Concelho, vi-me de repente a procurar perceber qual teria sido o motivo de tão inoportuna deslocalização. E a verdade é que encontrei nenhuma plausível para tal. Alguém me contou que até já tinha estado no chão, o que a bem da verdade me custa a acreditar. Se o problema se resolvia com uma bucha e um parafuso, então aí ainda percebo menos, porque seria de rápida resolução.

Não sou grande coisa em matéria de protocolos, mas não seria suposto, numa sessão solene, que "cada galo estivesse no seu poleiro"? E aquele "galo" até é a figura maior desta "capoeira" chamada república. Ou não é?

GOLEGÃ EM IMAGEM


sexta-feira, 24 de abril de 2009

PORTUGAL DE HOJE, 24 DE ABRIL

Brevíssimo resumo do Portugal de hoje, dia 24 de Abril de 2009.

Lembram-se ou conhecem Manuel João Vieira, o inimitável vocalista dos Ena Pá 2000 e dos Irmãos Catita? Pois não esperem que tenha o dito como exemplo, dado o seu comportamento social no mínimo pouco ortodoxo, apesar do seu trabalho ter acompanhado alguns momentos de diversão, à uns anos. Lembram-se de ter sido candidato a candidato a Presidente da República e o inesquecível e insólito episódio do transporte das assinaturas (que não foram em número suficiente, além de outras alegadas irregularidades) de burro? O candidato que como slogan tinha um sugestivo "Só desisto se ganhar"?

Pois é. Uma vez que o seu hino de campanha não tinha linguagem pouco adequada para aqui (o que não será fácil encontrar nas suas composições), decidi deixar-vos a letra, porque foi a coisa melhor que me ocorreu hoje, ao pensar em Portugal.

Hoje, 24 de Abril, na fase de pré-cravo...


Temos táxis e hóteis
Temos pontes e bordéis
Temos ceguinhos e trutas
Bolachinhas ararutas

Temos castelos nos montes
Temos tractores e fontes
Temos incineradoras
Temos morenas e louras

Emigrantes em França
Temos muita insegurança
Temos o 13 de Maio
Temos queijo e temos paio

Temos um céu sempre azul
Temos S. Pedro do Sul
Temos um rei que não é
Lavamo-nos no bidé

Deputados às dezenas
Contas bancárias pequenas
As pinturas do Malhoa
As gravuras de Foz Coa

Temos a lei do aborto
Temos Lisboa e o Porto

Temos populações iletradas
E prisões superlotadas
Temos cada vez mais estradas
Muito mal pavimentadas

Lixeiras a céu aberto
E meio país deserto
Temos muitos tubarões
E buracos de milhões

Portugal alcatifado
Bebe o vinho e canta o fado
Portugal alcatifado
Bebe o vinho e canta o fado

quinta-feira, 23 de abril de 2009

OS MEUS ARQUIVOS (3)

Autocolante da então Escola Preparatória da Golegã (chamavam-se assim antes da moda das siglas para a designação actual), que remontará, se a memória não me atraiçoa, a 1982 ou 1983.

Lembro-me bem de ter sido lançado um concurso entre os alunos, que deveriam elaborar o modelo do autocolante que viria a ser o rosto da Escola. Foi este o vencedor, da autoria do Victor Ferreira (que não vejo à imenso tempo) - Vitinho, na altura entre nós - e que é hoje assistente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Já à data, com 12 ou 13 anos, se percebia que arquitectura seria quase inevitavelmente o seu destino.

Duvido que ele consulte o Golegã XXI, mas se for o caso, envio-lhe daqui um abraço.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

GOLPE DO TELEFONE - Nunca fiando...

Há burlões para tudo. Como é sabido, as novas tecnologias vieram ajudar-nos em imensas coisas, mas também aos burlões mais sofisticados. Clonagem de cartões de débito e crédito, violação de dados confidenciais em serviços de homebanking e muitas outras coisas, vão sendo notícia quotidiana.

Daqueles e-mails que todos recebemos com avisos, partilho convosco este, porque todos podemos cair numa destas. Como dizem nuestros hermanos, no creo en brujas, pero que las hay, las hay.

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GOLEGÃ EM IMAGEM




segunda-feira, 20 de abril de 2009

ALTERAÇÕES NA RUA D. ELISA BONACHO

Em ano de eleições têm surgido amiúde algumas pequenas obras, que sempre vão fazendo alguma vista, com a vantagem de serem baratas e de rápida execução, logo com poucos incómodos para os munícipes. Algumas têm a vantagem de beneficiarem os locais de intervenção, como esta que hoje comento.

No entroncamento da Rua D.Elisa Bonacho com a José Farinha Relvas, foram introduzidas algumas alterações, que me agradam sob dois pontos de vista essenciais:

O funcional, já que nesse entroncamento tínhamos criado, nós automobilistas, ao longo dos tempos alguns vícios que agora ficam resolvidos (nomeadamente quanto vínhamos da D.Elisa Bonacho para a Farinha Relvas e virávamos à esquerda, para o chafariz, fazendo-o quase sempre tão encostados à esquerda que os que seguiam em sentido contrário e na mesma direcção acabavam por ter que parar), além do ordenamento do trânsito numa confluência já de si e atendendo à forma como foi criada, pouco regulada. As passadeiras também foram alvo de alteração (talvez motivada pela introdução das laranjeiras e consequente inutilização da circulação pedonal no passeio - ou qualquer coisa parecida com passeio), sendo que genericamente julgo que ficou tudo melhor. Algumas reservas apenas em relação às (agora) pequenas laranjeiras que dada a proximidade com a via me parece que poderão de futuro criar alguns problemas. Acho que seriam desnecessárias, mas parecem-me pretender fazer parte do cenário que se pretendeu montar. A volumetria do semeador parece-me adequada e não creio que traga problemas de falta de visibilidade.

O estético, porque a solução encontrada é agradável, com a introdução de um semeador antigo (mais uma referência do nosso passado exposta nas ruas), assente numa argamassa tingida de "terra", na recreação de um cenário engraçado, pese embora os malfadados lancis de betão, disfarçados ainda assim com uma tinta "cor de pedra" que, do mal o menos, acabam por se integrar menos mal com os existentes nos passeios contíguos. O marco em pedra calcária vem dar mais um toque ao cenário. Apenas uma ressalva: a dimensão da intervenção foi tão pequena que o acréscimo de custos da utilização de lancis de pedra em detrimento dos de betão não seria assim tão oneroso. Digo eu...

Mais um canto bem conseguido e, neste caso, com mais valias funcionais, ao contrário do que às vezes acontece.

COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL

Parece que foi ontem que aqui deixei um post sobre o 25 de Abril e no próximo sábado terá passado um ano! O tempo voa!

Deixo-vos o cartaz deste ano, relativo às comemorações (retirado do site da CMG), salientando a novidade de na sessão solene se proceder à homenagem de todos os Presidentes da Assembleia Municipal.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

PARQUE VANDALIZADO E AO ABANDONO

A Golegã é genericamente uma vila "arranjada", de cara lavada, bonita e aprazível. Tem os cantos e os recantos bem cuidados, engraçados, alguns até com bastante bom gosto. Julgo mais ou menos consensual este sentimento entre nós, goleganenses.

Todos nós teremos porventura alguns detalhes a questionar. Eu por exemplo prefiro os lancis de calcário aos de betão, a calçada à portuguesa à betonilha com seixo miúdo que de à uns tempos a esta parte proliferou em exagero por aqui. Prefiro relva às betonilhas pintadas de verde, prefiro jardins a coisas "tipo jardins". Mas percebo que nem tudo são rosas. Há custos e custos e são os que decidem que têm que ponderá-los e tomar decisões. Dou de barato algumas destas questões, sendo que outras me incomodam mais, sob o ponto de vista estético, de enquadramento urbanístico e de fidelidade ao estilo dominante.

E depois há os que decidem estragar aquilo que é de todos nós. Que decidem ter o direito a vandalizar e a tornar o que antes fora arranjado e aprazível em cenários pouco consentâneos com aquilo que é o nosso desejo de viver numa terra com cada vez mais e melhores condições. Decidem ter o direito a estragar e vandalizar aquilo que também foi eventualmente pago com o dinheiro dos seus pais, também contribuintes.

Foi provavelmente o que aconteceu junto à Alverca do Campo, num local com um enquadramento privilegiado, na entrada sul da Golegã. Um parque agradável, uma zona bem cuidada, com boas condições de lazer, está hoje transformado num recanto em ruínas, onde o lixo começa a dar alguns sinais de acumulação, onde o espaço que antes fora explorado como "café" encerrou, onde as churrasqueiras que proporcionavam condições para um piquenique estão semi e totalmente destruídas, onde as expectativas aquando da sua criação se vêem agora esfumadas.


Eu compreendo que é irritante arranjar para outros estragarem. Compreendo que custe repor as coisas como devem estar, mas faz parte da tarefa. Os responsáveis pelo município tiveram tempo para dar solução a este estado de coisas. Ou se recuperam as churrasqueiras, ou se substituem por outras, construídas de forma a resistirem mais aos ataques ignóbeis dos tais que sentem o direito de vandalizar, ou pura e simplesmente se retiram e quem quiser que leve o grelhador. Qualquer coisa.

Neste estado é que aquele parque não deve continuar.