sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

QUANTOS LUGARES CABERÃO À OPOSIÇÃO?

Alguma coisa se tem falado sobre as possibilidades de eleição de mais vereadores da oposição, no sentido de dotar a autarquia (leia-se Câmara Municipal) de uma maior e mais proporcional representatividade. Realmente, sob o ponto de vista teórico, esse equilíbrio poderá resultar num também maior equilíbrio nas gestões municipais e, principalmente, na multiplicidade e na abrangência das estratégias de desenvolvimento a adoptar.

No caso do Concelho da Golegã, têm-se lido e ouvido algumas opiniões relativamente a esta matéria e até, nalguns casos, traçam-se metas de vitória, de duplicação na eleição de vereadores, etc. Voltando às contas, às previsões e às conjecturas (podem chamar-lhe contas de merceeiro que não me importo), arrisco aqui alguns cenários, numa fase em que nos aprestamos para o início da corrida eleitoral, que não deverá passar muito do início do próximo ano. Refiro que estas conjecturas, partem de pressupostos eventualmente alteráveis e por isso, valem naturalmente o que valem.

No cenário que se me afigura como mais provável e conhecidos já alguns rostos de candidaturas a presidente da Câmara, deveremos ter na corrida Veiga Maltez (PS), Carlos Simões (PSD), Pedro Azevedo (CDS) e um candidato sobre o qual não arrisco prognóstico por parte da CDU. Tenho dúvidas que esse, dificilmente poderá ser um candidato tão forte como foi Manuel Madeira no passado, sob o ponto de vista do potencial eleitoral.

Parto também do princípio, que apenas as 4 candidaturas que refiro, se irão apresentar a eleições. Posto isto e a confirmarem-se estas questões, parece-me que o PS parte à frente em termos de possibilidades de vitória, atendendo às tendências eleitorais locais, sobre as quais já aqui deixei alguns dados estatísticos relevantes. Porque tem por si próprio um eleitorado forte e porque o seu potencial candidato tem mostrado capacidade individual para reforçar esse eleitorado. Presumo que a CDU consiga a mobilização do seu eleitorado mais tradiconal (e normalmente fiel), mas que dificilmente poderá captar outro de forma relevante. O CDS tem também uma base relativamente fiel de eleitorado, a qual poderá ainda assim derivar um pouco para a candidatura de Veiga Maltez, mas dificilmente para a do PSD. Refira-se a propósito, que o CDS em eleições autárquicas tem ficado sempre aquém daquilo que vale o seu eleitorado. Quanto a este, por ter um candidato de Azinhaga, pode representar um reforço de votos nessa Freguesia, já na Golegã pode eventualmente ter um efeito contrário, dependendo ainda assim da composição das listas que vierem a apresentar-se a sufrágio. Faltará perceber a influência que o GIVA e Vitor da Guia poderão ter em Azinhaga neste domínio, mas se for o das últimas eleições, corre o risco de nada alterar de significativo neste cenário.

Passemos então a números.

1) Consideremos um número de votantes médio em relação às últimas três eleições, ou seja, cerca de 3100.
2) Admitamos que, pelo natural desgaste governativo, que o potencial candidato do PS perderá alguns votos, á semelhança do que se passou entre 2001 e 2005, na mesma razão (perdeu aí 135), prevendo que ainda assim possa ter, em números "redondos" cerca de 2000 votos. Não sinto no quotidiano manifestações tais que tornem verosímel uma queda demasiado acentuada. 3) Presuma-se que a CDU captará o seu eleitorado mais tradicional, cifrando-se a média das últimas eleições legislativas em cerca de 450 votos (mais ou menos o mesmo que a média das últimas duas eleições autárquicas). Ainda assim admito uma subida, que dependerá porém do candidato a anunciar.
4) Admita-se que o CDS possa reforçar ligeiramente os resultados autárquicos anteriores e que possa atingir algo perto dos 100 votos.
5) Presuma-se que o PSD e Carlos Simões conseguem reforçar o eleitorado em Azinhaga, ainda que seja possível baixar ligeiramente na Golegã, o que faria com que o PSD, por exclusão de partes dos números acima indicados, poderia representar cerca de 550 votos, o que a concretizar-se seria o segundo melhor resultado de sempre. Se Carlos Simões revelar uma mais valia extra para captar votos em Azinhaga (imaginemos uma subida para perto de 300, bastaria que conseguisse aqui à volta de 250), parece ter possibilidades de garantir a sua eleição.
Neste cenário, puramente especulativo, com a aplicação do método de Hondt para o apuramento de mandatos, teríamos qualquer coisa como:

(A verde a atribuição de número de mandatos eleitos)

Na distribuição de mandatos teríamos o seguinte:
1º eleito : PS
2º eleito : PS
3º eleito : PS
4º eleito : PSD
5º eleito : PS

Significa isto que ficaria tudo mais ou menos na mesma. Para termos uma ideia, para que o PSD possa sonhar com 2 vereadores eleitos, seria necessário que o PS perdesse cerca de 25% dos votos que obteve nas últimas eleições (cerca de 520) e que esses fossem directamente canalizados para o PSD, mantendo-se CDU e CDS dentro dos valores aqui encenados. O PSD teria que ter qualquer coisa à volta de 850 votos, que seria uma votação histórica e a melhor de sempre, neste contexto.

Se ando longe da verdade ou não, o tempo o dirá.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

RECORDAR SÁ CARNEIRO

Francisco Sá Carneiro
1934/1980
No dia do aniversário da sua morte, recordar Sá Carneiro é um acto de pura justiça e reconhecimento por tudo o que representou para Portugal.

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro foi um dos políticos mais marcantes da história política portuguesa do século XX e quiçá um dos mais apaixonantes estadistas que Portugal viu nascer. Norteado pela conquista da democracia pela via política, teve ainda a audácia de desafiar os preconceitos da sociedade onde vivia, sendo por alguns apelidado de um herói romântico. Sá Carneiro, homem de fortes convicções e de imenso carisma, conquistou algo raro em política, em especial à época em que a exerceu: a simpatia e o respeito de amigos e adversários. Assumindo com frontalidade a sua visão para o País, marcou a sua época advogando a construção de um estado democrático integrado na Europa. Utópico para alguns, visionário para muitos, Sá Carneiro conquistou por direito próprio um amplo apoio da comunidade nacional.

Nascido no Porto no seio de uma família da alta burguesia, cedo começou a frequentar os círculos mais progressistas da Igreja, ele que era um católico praticante. É aí que começa a defender publicamente a transformação do regime numa democracia parlamentar. Eleito deputado em 1969 integrando as listas do partido único de então, a Acção Nacional Popular (ANP), liderou a saudosa Ala Liberal, onde se destacou pela defesa de uma democracia assente nos modelos vigentes na Europa Ocidental, sendo então o motor de um projecto de revisão constitucional. Vendo que não conseguia furar as resistências do regime, em plena Primavera Marcelista, renunciou ao mandato para o qual havia sido eleito. Em 1973 iniciou uma breve actividade de cronista no “Expresso”. Pese embora a censura da época lhe colocar alguns entraves, Sá Carneiro consegue mobilizar a consciência da sociedade civil.

Funda, após a revolução de Abril o Partido Popular Democrático (PPD), juntamente com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota. Foi o seu primeiro secretário-geral e é ainda hoje considerado como líder histórico do Partido. Dizia aquilo que pensava, ainda que fosse tido como politicamente incorrecto. Foi um dos primeiros políticos em Portugal a criticar a influência excessiva que o movimento das forças armadas exercia na política nacional. Este tipo de atitudes e de ideias fez com que muitos o considerassem um perturbador. Ministro sem pasta em diversos governos provisórios, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte e, mais tarde, para a I Legislatura da Assembleia da República.

Nesse mesmo ano, Sá Carneiro conhece em Lisboa a editora dinamarquesa Ebbe Merete Seidenfaden, conhecida por "Snu" Abecassis, enfrentando uma grande transformação na sua vida. Apaixonado e sem receios das implicações políticas do acto, Sá Carneiro rompe com um casamento já longo, naquilo que muitos consideraram à época como uma atitude eminentemente revolucionária, não deixando de ter sido para a sociedade da época um verdadeiro escândalo.

Em 1997, o PPD passa a denominar-se como Partido Social Democrata (PSD). Em finais de 1979 criou a Aliança Democrática, coligação entre o PSD, o CDS, de Diogo Freitas do Amaral, e o Partido Popular Monárquico, de Gonçalo Ribeiro Telles. A coligação venceu as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Foi a primeira vez que um líder da oposição passou a chefiar o governo, ganhando as eleições. Para muitos, inclusive para alguns historiadores, essa vitória ficou intimamente ligada à força de Sá Carneiro, às suas convicções e à sua preserverança. Sá Carneiro receou ainda não ser nomeado primeiro-ministro pelo facto de não estar legalmente casado, mas não passariam de receios infundados, já que o peso do tradicionalismo desaparecera entretanto. Tomou posse como primeiro-ministro em 3 de Janeiro de 1980.

Foi contudo demasiado curto o "reinado" de um dos maiores estadistas portugueses como governante, que viria a durar apenas 11 meses. Em 04 de Dezembro de 1980 (faz hoje precisamente 28 anos), Sá Carneiro morre de forma trágica num acidente de aviação em Camarate, quando se aprestava para se deslocar ao Porto afim de participar num comício do seu homónimo, o general Soares Carneiro, candidato presidencial apoiado pela AD.

O avião onde seguia, um pequeno Cessna, despenhou-se instantes após a descolagem. Sá Carneiro teve morte imediata, juntamente com Snu Abecassis e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Hoje, decorrido mais de um quarto de século desde a sua morte, continuam muitas dúvidas no ar em relação às ocorrências que envolveram a sua morte: a de acidente (eventualmente motivado por negligência na manutenção do avião) ou a de atentado (desconhecendo-se quem o perpetrara e contra quem teria sido - Sá Carneiro ou Amaro da Costa). Alguma comunicação social da época, chegou a alvitrar que estes dois levavam na sua posse provas de corrupção e negociatas da parte da ala esquerda política envolvendo o partido comunista português e também socialistas.

Seja como for, Portugal, o Portugal democrático por que tanto lutou, deve-lhe ainda a clarificação dessa questão.

O "meteoro dos anos 70" durou apenas uma década, demasiado pouco para quem tinha tantas qualidades para ajudar a firmar a democracia em Portugal e a sua integração no mundo ocidental. Mas deixou uma marca eterna, daquelas que ninguém jamais conseguirá apagar.

No dia da sua morte, era eu ainda uma criança com 9 anos, recordo a consternação e o pesar com que os meus pais receberam pela TV a triste notícia. O meu pai em especial, era um fervoso entusiasta e seguidor de Sá Carneiro. Lembro-me desse luto e dessa consternação ter durado algumas semanas, intrigando-me na altura como seria possível alguém que nem sequer conhecíamos abalar de forma tão profunda o estado de espírito da nossa família. Sá Carneiro foi isso. Alguém capaz de fazer com que o aplaudissem, o seguissem, nele acreditassem mas também capaz de fazer com que várias centenas de milhar de pessoas chorassem o seu desaparecimento.

É esta a marca dos grandes homens e esta recordação é, necessariamente, um património de Portugal.

Este artigo, é apenas a minha singela e humilde homenagem a uma figura incontornável da nossa história.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

VEIGA MALTEZ EM O MIRANTE

Da entrevista do Sr. Presidente da Câmara Municipal da Golegã publicada em O Mirante, em Novembro passado, faço a leitura de que nada de substancial novidade está para sair no próximo processo eleitoral autárquico.

No discurso continuou na linha da última década e, permitam-me a franqueza, um pouco repetitivo. Insistiu na preservação e reforço da identidade peculiar da Golegã, enaltecendo de novo os seus costumes e as suas tradições, que como se sabe, são fundamentais na promoção da nossa "marca".

Justamente no ano em que se sentiu na Feira um cunho monárquico como não tenho memória, admite uma costela monárquica ao afirmar e passo a citar "Eu só não sou monárquico porque não aceito que o filho do Rei, mesmo tendo alguma deficiência congénita, tem que ser rei." Certamente os seus correlegionários do Partido Socialista, (do qual é ainda assim independente sob o ponto de vista da filiação e, ao que parece, também sob o ponto de vista de uma marca ideológica importante) eminentemente republicanos, não partilham desta simpatia.

Sobre matéria política manteve o tabu, afirmando que estará no fim do seu ciclo autárquico, se bem que admite que esse poderá ter uma pequena prorrogação (aqui a pequena prorrogação entendo-a como 4 anos, mas pode ter leitura eventualmente diferente). Talvez aguarde por uma manifestação espontânea de carácter popular, como a verificada no passado, pedindo-lhe para continuar, talvez seja apenas estratégia político-partidária ou pode ser ainda uma indecisão pura, que esteja porventura em fase de maturação.

Quanto a novidades, a única que retiro, prende-se com uma abertura sob o ponto de vista urbanístico, admitindo a possibilidade de se poderem "...fazer construções de arquitectura mais arrojada e moderna porque não vale a pena andar sempre a fazer casas do século passado." Saúdo esta abertura a novos conceitos arquitectónicos, até por coerência com o que aqui já defendi, em 17 de Abril de 2008, no artigo intitulado "Urbanismo, novos conceitos precisam-se". Espero e desejo que se concretize oportunamente. Nada sobre captação de investimentos, de expansão da zona industrial e empresarial, de captação de famílias e de combate ao êxodo rural, o que também não é propriamente novidade.

Antevê-se pois, caso Veiga Maltez avance para nova candidatura, um PS a recordar o passado e a sua contribuição para o desenvolvimento do Concelho, sob a sua perspectiva, mas pouco diversificado em termos de propostas mais abrangentes noutros domínios, que não têm feito parte da sua estratégia. No fundo, relendo o manifesto eleitoral, projecto XXI / relatório 1998/2005, antevê-se um pouco da mesma táctica: em 50 páginas, 41 (82%) eram relativas ao mandato anterior, 9 (18%) referiam-se ao mandato seguinte. Destas, pouco mais de 1/2 página para a apresentação do projecto socialista no que diz respeito à zona prevista para o desenvolvimento do tecido empresarial. Num Concelho amorfo no que se refere ao debate político, pobre em tertúlias e reflexão séria, o que é facto é que os resultados falam por si. E se é verdade que em equipa que ganha não se mexe (nem nos jogadores nem na táctica), então estas são boas notícias para quem partilha as linhas traçadas e seguidas na última década.

INQUÉRITO GOLEGÃ XXI

Ao inquérito lançado neste blogue sob a questão "Quem acha que será o próximo candidato do PS à Câmara da Golegã?", obtiveram-se 33 participações, traduzindo-se as respostas dos leitores da seguinte forma:




quarta-feira, 26 de novembro de 2008

NACIONALIZAÇÃO OU PROTECÇÃO?

O "buraco" do BPN trouxe à tona muitas das coisas que já se diziam à muito, ainda que sussurradas, com mais ou menos ruído. A imagem que fica é que o Estado Português (que é como quem diz, todos nós) promoveu a nacionalização do banco em causa, no sentido de salvar os depositantes (que é como quem diz, alguns de nós). O povo a ajudar o povo.

Mas essa imagem não me convence. O que vejo nesse quadro, além da reintrodução de um regime legal para fazer nacionalizações (o que deverá deixar os ortodoxos de esquerda contentes e felizes e os outros, os que o não são, um bocadito apreensivos) é que um banco com menos de 2% de actividade financeira e desde sempre rodeado de uma auréola de "dúvidas" de gestão, vê agora colmatadas as loucuras ilícitas(ou pelo menos supostamente ilícitas) dos seus gestores com 500 milhões das reformas dos portugueses.

Este Estado, que se obriga ( via CGD e Banco de Portugal) a concessionar mais de 400 milhões em crédito - apesar de há muito já conhecer a situação do banco -, não pode pretender que encaremos essa operação como uma simples nacionalização. Este mesmo Estado, que nos habituou a ouvir que não há dinheiro para reformas com dignidade, que não há dinheiro para a valorização dos salários na função pública, que não há dinheiro para que se possa reduzir a carga fiscal e dessa forma desapertar (só um bocadinho) o garrote que asfixia famílias e PME´s, que não há dinheiro para manter urgências, maternidades e escolas, é o Estado que arranjou agora paletes de milhões para tapar buracos que alguém abriu de forma inacreditável no BPN.

É este Estado (com o seu fiel aliado Banco de Portugal, com a inacção a que já nos vem habituando) que protege politicamente uma instituição com regras e princípios, ao que parece, pouco claros. E protege ainda os pobres dos gestores e dos accionistas (onde andam os milhões dos lucros???) que por acaso até parece que não tinham que ter percebido o que se passava.

É este o mesmo Estado que vê o desemprego crescer, que vê as micro, pequenas e médias empresas a falir em catadupa, aquele que não quer acabar com o pagamento especial por conta nem alterar o regime do IVA para que as empresas o devolvam apenas quando o receberem.

É este Estado que nos diz agora que afinal há uns milhões de reserva e que nos diz agora também onde eles irão ser aplicados. Cresci a ouvir e a ler os milhares de milhões de lucros anuais obtidos pela banca. Pergunto inocentemente, onde estão agora que são precisos?

Quando se fala tanto na necessidade da regulação dos mercados financeiros, na procura de moralizar e controlar o capitalismo desenfreado, o Estado Português acaba de nos mostrar que isso não passará de retórica.

Já sei que temos que pagar a crise económica, mas por favor, não nos obriguem a pagar a crise financeira.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

(Rectificação)

No artigo "A IMPORTÂNCIA DOS CANDIDATOS", escrevo a dada altura "Percebe-se então (como é aliás da sensibilidade geral), que os líderes de cada partido em cada eleição, assumem nas autárquicas uma importância que extravasa...". Naturalmente que a ideia não era essa (a dos líderes dos partidos) mas sim implicar a importância dos líderes do processo eleitoral autárquico de cada partido, i.e. - cabeça de lista de candidatos à Câmara Municipal.

Fica a rectificação do lapso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

RESULTADOS DE INQUÉRITOS GOLEGÃ XXI

Aqui ficam, tal como prometido, resultados de alguns inquéritos realizados aqui, em Golegã XXI.






A IMPORTÂNCIA DOS CANDIDATOS

Tendo procurado aqui demonstrar (ver artigo "O centrão também decide na Golegã") que na freguesia da Golegã o potencial de eleitorado sócio-ideológico do PS e PSD são similares, tendo cada um relativamente iguais possibilidades de obter vitórias no Concelho, importa agora salientar as diferenças entre os contextos de eleições legislativas e autárquicas.

Pese embora julgue provada a tese da similaridade em termos de potencial de eleitorado, a verdade é que em contexto de eleições autárquicas a realidade tem sido bem diferente. Nos últimos 19 anos, apenas por uma vez (1989) o PSD ultrapassou o PS em resultados neste âmbito, tendo o poder local alternado entre PS e CDU, o que contraria as tais tendências sócio-ideológicas do eleitorado. Percebe-se então (como é aliás da sensibilidade geral), que os líderes de cada partido em cada eleição, assumem nas autárquicas uma importância que extravasa as convicções políticas e ideológicas de cada um de nós. A tal história que neste caso "o que contam são as pessoas, não os partidos".

Se olharmos em termos comparativos, aos resultados obtidos pelos três maiores partidos do Concelho em eleições legislativas e autárquicas, constataremos justamente essa flutuação de eleitorado, contra-natura se quisermos, relativamente ás questões ideológicas.

Reparemos no caso do PS. O máximo que conseguiu obter em legislativas foi a marca de 1668 votos (total Concelho), enquanto que em autárquicas chegou aos 2303, marca até então jamais atingida por algum partido ou candidato. E em matéria de candidato, vejamos, no caso do PS, a importância que Veiga Maltez assumiu no eleitorado: a média de resultados entre 1989 e 1993 do PS em autárquicas foi de 859 votos; em legislativas entre 1983 e 1995 foi de 1029 votos. Percebe-se então que, tomando como referência a média (simples média aritmética) de resultados em legislativas ultrapassou a das autárquicas, o que parece fazer crer que nesse período, os candidatos do PS à CM não conseguiram captar todo o potencial de eleitorado possível. Já desde 1997, com a candidatura de Veiga Maltez, a realidade passou a ser outra: eleito em 97 com 1718 votos, bateu o record de votos socialistas no Concelho, até então, esgotando e extravasando o eleitorado socialista tradicional. Repare-se que em termos médios, (de 1997 a 2005), Veiga Maltez "valeu" 2063 votos, enquanto o eleitorado socialista entre 1999 e 2005 "valeu" a média de 1455 votos. Significa que, Veiga Maltez "tem valido" 608 votos, além do eleitorado socialista dos últimos 10 anos.


Mas também noutros partidos (veja-se o exemplo da CDU), a influência do candidato tem sido decisiva nas vitórias alcançadas: Manuel Madeira, em 1989 e 1993, atingiu a média de votos de 1620, enquanto que entre 1983 e 1995 o eleitorado comunista não teria conseguido mais do que 857 em valores médios. Manuel Madeira "valeu" nesse período quase o dobro do eleitorado comunista. Atente-se ao detalhe de que em 1997, ano em que perdeu a Câmara, Madeira ainda obteve a marca de 1215 votos! Percebe-se pelo gráfico abaixo, que após esse período, o candidato apresentado pela CDU à CM captou votos apenas no seu eleitorado, tendo a CDU perdido a sua mais valia eleitoral.

Quanto ao PSD, que nunca conseguiu uma vitória eleitoral em contexto autárquico (pese embora o potencial do seu eleitorado, especialmente na freguesia da Golegã), tem no segundo lugar obtido em 1989 o seu melhor desempenho. Nesse ano, vindo de uma coligação com o PS e tendo Martins Lopes como candidato, o PSD obteve o melhor resultado de sempre em autárquicas, conquistando 803 votos, quando a média até essa data do eleitorado social-democrata havia sido de 806! Martins Lopes conseguiu reunir todo o eleitorado do PSD, não esqucendo o enorme handicap chamado Azinhaga, hostil em termos eleitorais para o Partido, ao contrário dos acima invocados, que tiverem, alternadamente sempre importantes apoios nessa freguesia. Olhando o gráfico abaixo, verifica-se que apenas em 1987 e 1991, com as grandes maiorias de Cavaco Silva, o resultado de Martins Lopes em 1989 foi ultrapassado, não o sendo mais a partir dessa data. De 1991 a 2005, o eleitorado do PSD tem valido, em termos médios 767 votos, enquanto que no mesmo período o PSD local "valeu" apenas 378, revelando que cerca de 51% do eleitorado social-democrata tem derivado, em contexto autárquico, para "outras paragens".


Esta exposição, não pretende ser um estudo técnico, até porque terá porventura demasiados erros, em especial nas comparações das médias dos resultados obtidos e outros, se analisada por um especialista na matéria.

Pretendi apenas submeter à apreciação dos leitores do Golegã XXI - Um olhar atento, alguma informação factual do histórico das eleições no Concelho da Golegã, reforçando com isso a tese da "apartidarite" que toma conta dos eleitorados, de 4 em 4 anos, nas eleições autárquicas, elegendo acima de tudo O CANDIDATO À CM, e não os partidos que sustentam as suas candidaturas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SOL DAS LEZÍRIAS


Depois de tanto ter ouvido falar (e ler, especialmente em Azinhaga.net) decidi assistir ao espectáculo SOL DAS LEZÍRIAS, encenado por João Coutinho e levado a efeito pela Casa da Comédia da Azinhaga, no passado dia 4.

Deixo o meu testemunho de que valeu a pena, sendo este já um espectáculo de referência no Concelho. Estou seguro que todos serão bem recebidos em Azinhaga, como tive a oportunidade de constatar. Além do mais, serviu para rever algumas pessoas que já não via à uns pares de anos.

Aconselho vivamente a todos que ainda não tiveram oportunidade de assistir ao espectáculo que não percam a próxima.

Está naturalmente de parabéns a Casa da Comédia de Azinhaga.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PSD-GOLEGÃ APRESENTA CANDIDATO

É oficial. Carlos Simões será o próximo candidato do PSD da Golegã a presidente da Câmara Municipal.

Submetido ao parecer da Assembleia de Secção no passado dia 4, faltará apenas a anuência das estruturas hierarquicamente superiores, cuja decisão se prevê pacífica.

Outra nota marcante, prende-se com mais um abandono de cargo para o qual havia sido eleito do Presidente da Comissão Política de Secção, que, alegando motivos pessoais, deixou a liderança da secção poucas semanas após a sua eleição. E esta questão assume particular importância, naquilo que é a imagem de estabilidade que o principal partido da oposição deve ter, de forma a constituir-se definitivamente como alternativa de poder. Esta decisão, após várias peripécias pelo caminho, não ajuda a essa estabilização e é mais um tiro nos próprios pés. Outra questão que agora se coloca é quem assumirá o cargo de Presidente da CPS, sabendo-se que poderá ser um dos dois vice-presidentes, Joaquim Morgado ou Carlos Simões. A actual Comissão Política (atente-se à sua constituição) pareceu visar claramente uma mudança radical no PSD, diria mesmo, de ruptura com o passado. Agora importa perceber qual deles poderá personalizar essa mudança.

A primeira hipótese não me parece fazer muito sentido, uma vez que Joaquim Morgado havia sido o anterior presidente, estando no cargo cerca de 10 meses numa posição demissionária, além de que se essa fosse a solução encontrada, pouquíssima coisa mudaria no PSD. Acresce que o mandato anterior não foi particularmente feliz sob a liderança do agora vice-presidente.

Carlos Simões parece-me a solução mais indicada, atendendo às circunstâncias, não me parecendo perniciosa a sua exposição pública enquanto candidato e simultaneamente presidente da CPS. Antes pelo contrário, julgo que traria claras vantagens. Em primeiro lugar passaria a imagem de uma mudança de facto na secção; por outro lado concentraria o protagonismo naquele que irá ser sufragado daqui a um ano, não me parecendo que uma estratégia de protecção ao desgaste, a esta distância das eleições, surta mais efeito que o contrário; por último parece-me que Carlos Simões, alheio a algumas questões recentes que levaram a uma divisão clara no seio da militância, terá mais condições de agregar o partido que o ex-presidente. Importante ainda a sua capacidade e qualidade de trabalho, que resultaria certamente numa mais valia para a Secção. Esta é, na minha opinião, a melhor solução para o futuro imediato.

De acordo com notícia difundida por O Riachense on-line, Carlos Simões começou já a adoptar uma posição moderada, procurando fazer incidir as atenções na questão da alternativa de facto. Note-se ainda a diferença abismal do candidato do PSD na abordagem ao próximo acto eleitoral com a assumida pelo anterior Presidente da CPS: enquanto o primeiro afirma “Não podemos esperar por um D. Sebastião que venha derrotar o PS. Sendo realista, seria bom a eleição de mais um vereador e mais deputados para a Assembleia Municipal. Vamos apresentar uma política alternativa de gestão, mas sabemos quais as nossas limitações. Queremos continuar a ser uma oposição fiscalizadora e construtiva”, considerando-se ainda contra a política do bota abaixo; o segundo afirmava "Efectivamente, em Maio de 2005, iniciámos uma caminhada que conduzirá à conquista da Câmara Municipal da Golegã pelo PSD...". É clara a diferença de postura, sendo claro que Carlos Simões, quer na forma, quer no conteúdo, poderá protagonizar uma mudança positiva no PSD local, caso, repito, assuma a sua liderança. Isto revela ainda que (ex-) presidente e vice-presidente não estariam em total sintonia, quanto à estratégia a adoptar na abordagem às próximas eleições autárquicas.

Em meu entender, uma coisa é certa: o PSD apresentará um candidato com forte potencial para ser um excelente Presidente de Câmara. Quanto às condições políticas para poder concretizar as suas ambições, lá iremos mais tarde.