segunda-feira, 30 de junho de 2008

ALMONDA - Golegã e Torres Novas entendem-se

«A poluição do rio Almonda e as decorrentes consequências na Reserva Natural do Paul do Boquilobo têm posto de costas voltadas as autarquias de Torres Novas e Golegã. O autarca da capital do cavalo, sobretudo, tem acusado a Câmara de Torres Novas de, por laxismo, contribuir para a poluição da reserva e tem, isoladamente, tomado algumas iniciativas no sentido de remar contra este estado de coisas.Mas, sob os auspícios do Instituto de Conservação da natureza, as duas autarquias vizinhas comprometeram-se, na terça-feira, a caminharem de mãos dadas de modo a ultrapassarem os desentendimentos e a criarem mecanismos conducentes à resolução dos graves problemas ambientais do Rio Almonda e da reserva do Boquilobo

In Jornal Torrejano, em 26/6/2008

Desejo que assim seja, visto que a resolução de tão grave problema ambiental, passará seguramente pelos esforços conjuntos de ambos os municípios, que devem saber ultrapassar as suas divergências em prol do bem comum.

VIAS PARA O DESENVOLVIMENTO - uma primeira reflexão

Li à cerca de duas semanas uma notícia em "O Mirante", que dava conta da intenção de expropriação de um parcela de terreno com cerca de 50 hectares, já que o proprietário do terreno só aceitaria vender a totalidade, com quase 400 hectares. Aliás, a expropriação já foi aprovada pelo executivo coruchense, no passado dia 4, sob o pretexto de utilidade pública.

A CM de Coruche, atenta às novas janelas de oportunidades decorrentes da proximidade do futuro aeroporto de Alcochete, entende que a procura por parte de empresários merecerá da autarquia um esforço no sentido de promover as devidas ofertas, sendo que para isso pretende obter um empréstimo para fazer face aos investimentos, que, diga-se, atinge cerca de 10% da capacidade de endividamento do município.

A concretizar-se esta operação com êxito, Coruche verá a possibilidade de ter o seu tecido económico significativamente dinamizado, sendo à primeira vista, um passo importante com vista ao futuro.

E aqui coloca-se em meu entender uma questão tão sensível quão pertinente: devem os municípios enveredar por estas vias no sentido de promoverem iniciativas como forma de garantir a sua sustentabilidade no futuro? Devem os municípios utilizar todos os meios legais ao seu alcance, no sentido de acautelarem o dinamismo das suas terras, proporcionando às suas populações inegáveis mais valias com vista aos novos desafios de futuro? Devem os municípios garantir desta forma e esgotadas todas as alternativas, condições para o seu desenvolvimento?

Sabemos que a dinamização dos tecidos económicos dos municípios, acarretam vantagens de natureza diversa. Económica e social. Porque potenciam as possibilidades de emprego; porque potenciam os mercados de consumo; porque potenciam os mercados habitacionais; porque potenciam as receitas para os próprios municípios, directas e indirectas; porque abrem janelas de oportunidade para os seus munícipes de fixação nas suas terras; porque criam condições de captação de novos residentes.

Esta é uma matéria que merece, na minha opinião, uma reflexão profunda, porque pode ser para alguns Concelhos, a via para o desenvolvimento.

No concelho da Golegã, por exemplo, a dinamização da área empresarial e industrial, ficou bem aquém do que seria desejável, sendo a sua área física manifestamente insuficiente para poder responder de forma afirmativa, sob o ponto de vista da competitividade, com municípios vizinhos. A melhoria substancial dos acessos rodoviários nos últimos anos, bem como a proximidade de acessos ferroviários (nomeadamente o TVT, em Riachos), colocou ao nosso Concelho condições favoráveis, mais favoráveis do que algum executivo anterior havia encontrado.

No nosso Concelho, os investimentos na "zona industrial" revelam-se manifestamente insuficientes, sendo que a maioria dos lotes ocupados, se prende com deslocalizações de empresas que laboravam no interior da vila, em que os negócios novos, revelam uma influência no crescimento do tecido económico meramente residual. As dimensões dos lotes entretanto colocados no mercado, castrou à partida e por si só, possibilidades de captação de alguns tipos de investimento.

É tempo de ser colocado no centro do debate político a questão do desenvolvimento económico sustentado, da criação de emprego, da criação de condições atractivas para investidores.

O município daqui, tem várias resistências para vencer. A elevada valorização dos terrenos agrícolas; os condicionalismos impostos pela RAN e pela REN; a multiplicidade de pequenos proprietários dos terrenos onde se prevê (apenas no papel) a zona de expansão da "zona industrial", que implicará necessariamente um aturado trabalho negocial.

Mas o município tem outra resistência, a política. A da pouca apetência do executivo do PS para promover este tipo de desenvolvimento. Neste caso, uma auto-resistência.

Eu acho, correndo sempre o risco de estar enganado, que a maioria socialista não "se virou" para esta questão por mera opção estratégica. Ou seja, pese embora as dificuldades e as resistências que refiro, parece-me que o fraco desenvolvimento da zona industrial, além de esbarrar nelas, esbarrou acima de tudo na pouca vontade política para que fossemos por aí. É fruto de uma estratégia de desenvolvimento praticada pelo PS, que terá que assumir o ónus dos seus resultados.

Não defendo que este modelo de desenvolvimento global, sustentado na potenciação da economia local, na progressão do dinamismo e empreendedorismo seja uma tarefa fácil. Será demagógico se alguém colocar a questão dessa forma. Até porque dependerá sempre de factores conjunturais externos. Mas não fujo à verdade se disser que muito pouco tem sido feito na inversão desta lógica, parecendo-me até que o executivo socialista teme que este tipo de desenvolvimento coloque em risco a caracterização sócio-cultural do concelho, atendendo à filosofia que com promoveu a sua imagem.

Mas que esta é uma questão fundamental, é.

PS PERDE MAIORIA ABSOLUTA


Segundo sondagem realizada pela Intercampus para a TVI, de 20 a 24 de Junho, o PS perde terreno para o PSD de Manuela Ferreira Leite.

Se as eleições fossem hoje, segundo os resultados apurados, o PS estaria praticamente a par do PSD (separados apenas por 1,4% nas intenções de voto). Surpreendente também a subida do BE, que se torna assim na terceira força política, ultrapassando o PCP), facto que poderá consubstanciar o que aqui defendi já sobre a eventualidade de um acordo (pré ou pós eleitoral) com o PS.

Na divisão por sexos, o PSD tem mais peso entre as mulheres, com 40,8% a escolher o PSD contra 37% que optam pelo PS. Já entre os homens a preferência é pelo PS, com 35,6% a dar o voto aos socialistas e 28,7% a escolher o PSD.

Na distribuição por idades verifica-se um equilíbrio entre PS e PSD. No escalão dos mais novos, entre os 35/54 anos, o PSD é favorito com 35,2% das intenções de voto contra 28,8% do PS. Os portugueses com mais de 55 anos preferem, contudo, os socialistas, entre 43,5% contra 34,4% do PSD.

Em Lisboa e Porto a vitória é também do PS, mas sem grande vantagem sobre o PSD. Curioso é verificar que, no Norte litoral, os dois partidos aparecem empatados. No centro litoral o PSD é o preferido com mais de 17% de vantagem sobre o PS. Já no interior e Sul, a escolha vai para o PS. No Sul, os socialistas levam mesmo uma vantagem de mais de 20%.

Ficha Técnica:
Sondagem INTERCAMPUS para a TVI, realizada entre os dias 20 e 24 de Junho de 2008, com o objectivo de conhecer a opinião da população portuguesa sobre temas da actualidade, nomeadamente a situação política em Portugal.
Universo constituído por indivíduos de ambos os sexos, com mais de 18 anos, residentes em Portugal Continental. Com recolha através de entrevista telefónica, a amostra é constituída por 605 entrevistas, sendo 52,2% dos entrevistados do sexo feminino, 31,4% entrevistados com idades entre os 18 e os 34 anos, 34,2% entre os 35 e os 54 anos e 34,4% em indivíduos com mais de 55 anos.
Por regiões 18,2% dos entrevistados residem no Norte Litoral, 13,2% no Grande Porto, 19,3% no Interior, 18,0% no Centro Litoral, 21,2% na Grande Lisboa e 10,1% no Sul.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

PSD REVISITADO

Volto, porque me apetece, ao tema dos esgotos. Honra seja feita às equipas do PSD que, por diversas vezes e por diversos meios, levantaram já essa questão, colocando-a no centro do debate político, porque é necessariamente pela via da acção política que o problema se pode, deve, resolver.

Mas também parece que alguém quer ser o dono dessa preocupação e parece que esse alguém tem a pretensão que não querer permitir que as pessoas tenham opinião, ou, mais grave, que não a possam emitir sempre que sintam vontade.

Ninguém "inventou a pólvora" a este respeito. Eu não pretendo ser o seu inventor também. Mas pretendo ter o direito - tenho-o e exerço-o - de deixar a minha opinião, quando quiser e onde quiser. Pela simples razão que sou dono da minha própria vontade. Mas não da dos outros.

Posto isto, convém voltar a 1989 (nas próximas eleições terão passado vinte anos!!) para percebermos que o problema dos esgotos não nos é propriamente contemporâneo. Já nessa altura o PSD local, mostrava a sua preocupação relativamente a esta problemática. Num programa eleitoral, à época chamado de manifesto eleitoral, que sustentava a sua candidatura, onde pontificavam nomes como Martins Lopes, Manuel António Martins, João Carlos da Luz, Victor Alves, João Veiga e Vasconcelos, Joaquim Morgado, Maria Eugénia Reis Mendes, o saudoso Manuel Gavino Nunes, entre muitos outros, já a questão era colocada, numa rúbrica intitulada de "saneamento e salubridade".

Pode não ter o efeito do Red Bull, que revitaliza o corpo e a mente, mas recordar é sempre um bom tónico para saber viver. Aqui fica um pouco de PSD revisitado.

Para mais tarde recordar.



PRESIDENTE DA DISTRITAL NA COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL

Vasco Cunha, presidente da Comissão Política Distrital de Santarém, é desde o último congresso, vogal da Comissão Política Nacional do PSD.

Também os meus caros amigos António Campos e Miguel Relvas (também eles dirigentes distritais) foram eleitos para o Conselho Nacional, estando o Distrito bem representado nos órgãos nacionais.

Ao Vasco, ao Miguel e ao António Campos, deixo aqui as minhas felicitações.

Um abraço.

ESQUERDA ORTODOXA AGORA POPULISTA

Estamos a pouco mais de um ano das diversas eleições. Quando lá chegarmos, estou certo que será num período bem mais consolidado desta crise que teima em ficar e que só agora começa a demonstrar os seus primeiros indícios. O Rock in Rio ainda encheu, as viagens para o Algarve nos fins de semana grandes ainda foram muitas, as viagens para o Brasil ainda continuam em alta. Mas, talvez para o ano, se notem alterações mais significativas nestes e outros indicadores, pese embora os sinais fortíssimos que já atingiram grande parte da população portuguesa.

Mas, dizia eu, que o clima em que as eleições vão ser disputadas, irá ser ensombrado pelas nuvens negras da crise económico-social. O clima ideal para usar o guarda chuva do populismo. Paulo Portas está farto de o tentar, mas sem sucesso. Pedro Santana Lopes e Luis Filipe Menezes almejaram-no, mas foi sol de pouca dura, apesar da andarem, esses e outros, "por aí", que é como quem diz que também podem andar "por aqui".

Mas é a esquerda mais ortodoxa aquela a quem o populismo passou a ser agora imagem de marca. Quem ouve Francisco Louçã a falar, seja junto de meia dúzia de pescadores ou outros agentes contestatários, percebe concerteza a carga demagógica que dali é emanada. Numa linguagem quase inquisitorial, contra os corruptos e os exploradores - os outros -, sempre do alto da sua superioridade moral, para quem tudo (e todos) o resto não passam de cantigas para entreter o povo. O BE já começou a trabalhar na sua nova estratégia. Sabe bem que o PS apenas tinha que controlar a "sua" esquerda, a interna. Também sabe que o PS pouco tinha com que se preocupar com o PSD, na sua linha de orientação errática, de onde recentemente saíu. Mas o BE sabe bem que agora tudo mudou. E o PS também sabe.

O recente comício polític do BE, com alguns socialistas á mistura, dos quais se destacam Manuel Alegre (o PCP esteve "fora"), demonstra que o BE também sabe que provavelmente o PS já perdeu a maioria absoluta. E parece-me também saber, que com este "ajuntamento", o "centrão" mais moderado tenderá a derivar para o PSD, agora com condições objectivas de se assumir como verdadeira alternativa. Não, não se pense que defendo que o BE visa criar condições para que o PSD saia vencedor das próximas eleições. O que o BE quer é ser governo e para isso terá que fazer com que o PS dele necessite. O BE sabe que o cobertor do PS não chegará para tudo. Se quer tapar a sua "Frente de Leste", terá que destapar o centro e vice-versa. Tentou por isso colocar o PS num colete de forças. Bem maior que o do PSD, que, folgado à direita, poderá aproveitar esta "provocação" do BE para tirar partido do eleitorado à sua esquerda.

E porquê o título? Porque, no tal clima de crise em que iremos assistir à disputa das eleições, o BE sabe que o seu populismo passa melhor que, por exemplo, o do PP. Também sabe que o PS, por coerência não poderá ir por aí, não se prevendo que possa mandar alargar o cinto, porque as circunstâncias e o passado nesta legislatura não o permitirá. E sabe ainda que o estilo deste PSD não é esse. Fica então com esse palco para ele (e para o sempre convicto Paulo Portas, onde tudo parece gasto e sem brilho), que não se coibirá de usar e voltar a usar.

É daqui que poderá emergir uma das grandes vantagens do PSD e de Manuela Ferreira Leite. Descontando os que embarcam no conto do vigário da demagogia, os portugueses em geral chegarão a essa altura ainda mais preocupados. Com bom senso, não vão querer os que lhe prometem mundos e fundos, mas poderão pensar em optar por aqueles que, com sentido de responsabilidade, com menos mentiras e mais verdades, com menos incoerências e mais coerência, sem espectáculos, mas com credibilidade, lhes poderão permitir passar pela crise de uma forma mais soft. Em meu entender, não vão ser as grandes questões programáticas (para mim bastante importantes), nem as normalmente chamadas de fracturantes que irão decidir a tendência. Serão antes os aspectos que acima defendo. O centro, moderado, aquele que decide, vai tentar perceber se tem razões para trocar.

A mim, quer-me parecer que sim.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

XXXI CONGRESSO NACIONAL DO PSD

Realizou-se no passado fim de semana o XXXI Congresso Nacional do PSD.

Uma nota prévia quanto ao número de congressos. Trinta e um, em trinta e quatro anos de "vida"! Dá que pensar, em especial atendendo que os estatutos prevêm, em situação normal, a sua realização de 2 em 2 anos. As sucessivas alternâncias na liderança e o clima de instabilidade em que o partido mergulhou, levou a que se atingisse esta marca, por necessidade interna. E se olharmos que o partido teve uma liderança estável (durante 10 anos, com Cavaco Silva), maior será a surpresa.

O PSD deu então o segundo passo para arrumar a casa. O primeiro havia sido com a eleição directa da sua líder. Eleitos os órgãos nacionais, o partido tem agora condições objectivas, para se virar novamente para fora, mostrando ao País o quão lhe pode ser útil a curto prazo.

Quer queiramos quer não, o PSD é um partido com génese de poder e tem agora a consciência da responsabilidade que isso encerra. Os portugueses sabem a importância decisiva que o PSD teve na história recente de Portugal, catapultando-o para níveis de evolução absolutamente incontestáveis.

Voltando ao congresso, Manuela Ferreira Leite esteve igual a si própria, demonstrando à evidência as suas características mais puras, ficando quanto a mim claro, que dela não se espere a anuência àquilo que já apelidei aqui de "políticos de plástico". Não é e não será. Portugal e os portugueses sabem com o que poderão contar e sabem que não lhes sairá coisa diferente.

Num discurso carregado de substância política, Manuela Ferreira Leite demonstrou coerência de princípios, e serenidade na abordagem. Falou de problemas e apontou caminhos. Apontou caminhos na educação, na qualificação, na iniciativa privada. Abordou o elevado peso do estado na sociedade e na economia. Deu especial relevo às questões económicas e sociais, nomeadamente no âmbito das micro, pequenas e médias empresas, incluindo aqui preocupações relativas ao empobrecimento da classe média. Aliás, considerou a líder do PSD, que a classe média e as pequenas e médias empresas, são o grande suporte da sociedade portuguesa. E foi aqui que em meu entender, apresentou diferenciações ideológicas relevantes, nomeadamente em relação à forma como encara o sistema fiscal; enquanto o PS tem assente na receita fiscal a grande garantia do controle das contas públicas, tendo esquecido o sentido global do sistema fiscal: a sua função de redistribuição da riqueza na preocupação de garantir a equidade social.

Não foi apenas a economista, como muitos auguravam. Foi a estadista, séria, rigorosa e responsável. Foi a líder do partido. A que todos respeitaram em congresso. É verdade que não elegeu a maioria ao Conselho Nacional, (elegeu 20 em 55 possíveis - os mesmo que elegeu Luis Filipe Menezes) mas parece-me que de futuro isso não lhe trará problemas de maior. Apresentou uma lista consistente à Comissão Política Nacional, onde pontificam algumas figuras de inegável valor político. Saíu, na minha opinião, reforçada a sua imagem deste congresso.

Pedro Passos Coelho demonstrou igualmente coerência relativamente à sua candidatura. Voltou a evidenciar algumas diferenças, numa toada séria e moderada. Manifestou ainda abertura para colaborar e elegeu, na lista que encabeçou, 16 conselheiros nacionais. Saiu igualmente reforçado deste congresso, sendo que não me espantaria, caso o PSD venha a ser novamente poder, que tivesse no futuro de Governo de Portugal um lugar de destaque.

Pedro Santana Lopes saiu, uma vez mais, claramente fragilizado. Animou o congresso, falou ao coração, como só ele sabe e recolheu imensos aplausos, como também é normal. Tem sido assim em muitos congressos, o enfant terrible, também menino guerreiro, encantou mas não concretizou. Falou apenas para dentro, vitimizando-se de novo perante o seu partido. A "sua" lista, que não encabeçou, deixando essa tarefa a Pedro Pinto, elegeu menos de 1/3 dos conselheiros de Pedro Passos Coelho, apenas 5.

Espera-se agora um PSD igual a si próprio, como disse, coerente sob o ponto de vista ideológico, de forma a poder constituir-se como uma verdadeira alternativa ao Governo socialista.

Eu cada vez acredito mais que é possível.

GOLEGÃ COM "CASA PRONTA"

«A Conservatória do Registo Predial na Golegã já tem disponível desde 30 de Maio o serviço “Casa Pronta”. Agora, os goleganenses, e não só, têm a vida mais facilitada pois este serviço permite a realização imediata, e num único ponto de atendimento, de todas as operações necessárias à transmissão de um imóvel, incluindo registos e contratos de compra e venda, mútuo e demais contratos de crédito e de financiamento celebrados por instituições de crédito, com hipoteca, com ou sem fiança, hipoteca e transferência de crédito. A conservatória pode liquidar o imposto sobre as transmissões onerosas (IMT), e, a solicitação do comprador, pedir a alteração da morada fiscal do mesmo, a isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis relativo a habitação própria e permanente e a inscrição ou a actualização de prédio urbano na matriz. Nesta última situação, não é preciso solicitar as plantas à Câmara, porque é a conservatória que o faz e as envia ao serviço de finanças.Outro dos benefícios deste serviço é o preço. Custa 350 euros, se o processo der origem a um acto de registo (uma aquisição ou uma hipoteca, por exemplo), e 650 euros, se o processo der origem a mais que um acto de registo. É substancialmente mais barato do que o procedimento normal.Para mais informações pode consultar o site http://www.casapronta.pt/.A Golegã é um dos primeiros municípios a aderir ao “Casa Pronta”, um serviço que o Governo de José Sócrates pretende estender a todo o país. »

In O Riachense-on line, 23 de Junho de 2008

A POLÍTICA DAS CONVICÇÕES E OS RESULTADOS ELEITORAIS

Terminado o XXXI Congresso Nacional do PSD, o da consagração da recente conquista de Manuela Ferreira Leite, virá agora a expectativa quanto aos resultados eleitorais, que o partido possa obter já em 2009, nas diversas eleições.

E agora levanta-se também uma questão que me parece cada vez mais importante em política: serão os resultados eleitorais, por si só, determinantes na avaliação do trabalho político?; será esse o factor que separa a validade das ideias em boas ou más?; será essa a forma mais justa, mais rigorosa e mais precisa sobre o desempenho na actividade política?; ou será mais importante o trabalho de facto, as ideias, os planos de acção e a própria acção?

Talvez numa das alturas mais críticas da nossa democracia, naquilo que é a credibilidade do sector político e o seu afastamento da sociedade civil, parece-me ser uma altura apropriada para nos debruçarmos sobre este tema.

É hoje mais importante conquistar votos ou fazer a "política das convicções"? Sim, porque sabemos que as duas, de mãos juntas, nem sempre permitem fazer chegar o barco a bom porto. Mas aqui coloca-se também a questão da nossa responsabilidade. Nossa, dos eleitores anónimos. Nossa, daqueles que elegemos os políticos com uma determinada expectativa e depois assistimos à prática de coisa diferente. É nossa a decisão e por isso teremos que ser cada vez mais exigentes nas nossas escolhas, nas nossas opções. Se queremos continuar a ter Fátimas Felgueiras, Valentins Loureiros e Isaltinos Morais, ou se não queremos.

Porque desta exigência, resultará forçosamente a alteração de muitas coisas. Aceito que tal patamar de exigência, dependerá de uma alteração cultural substancial e, principalmente, geracional. Mas á agora a hora de lançar essas sementes.

Todos os partidos sabem que os resultados eleitorais não dependem de si em exclusivo. Todos os partidos também sabem, que quanto mais falarem ao jeito daquilo que queremos ouvir, mais perto estarão dos seus objectivos eleitorais, ainda que não necessariamente do lado das suas convicções políticas.

É por isso que entendo ser importante para o PSD ser igual a si próprio, agora que tem condições para o ser. Acreditar, defender e promover na acção as suas convicções. Não estar dependente da conjuntura momentânea da data eleitoral. Dizer e defender o que pensa serem as melhores soluções para Portugal e para os portugueses.

É por isso importante que passemos da política com fins eleitoralistas para a política das convicções. O quanto antes.

sábado, 21 de junho de 2008

"TAXA ROBIN DOS BOSQUES" EM PORTUGAL?

A possibilidade da chamada "taxa Robin dos Bosques" ser aplicada em Portugal está na ordem do dia, levando já o primeiro-ministro a confessar essa equação.

Refira-se a propósito que o Governo italiano já aprovou a aplicação dessa taxa, que consiste basicamente na implementação de um imposto especial sobre as petrolíferas para financiar programas de assistência social a famílias afectadas pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares.

Sobre esta questão já se pronunciou também Durão Barroso, referindo que Bruxelas não se oporia à aplicação desta taxa, explicando que ela encaixa perfeitamente no quadro de medidas que os governos nacionais "podem e devem" implementar para apoiar as pessoas desfavorecidas, vítimas da escalada dos preços dos combustíveis.

Escusado será dizer que as petrolíferas já se manifestaram contra essa eventual medida. Não acredito porém que, antes de analisada e ponderada a parcela dos lucros das empresas que derivam e resultam do aumento brusco dos preços do petróleo, o Governo tome para já, qualquer medida nesse sentido.

É uma questão de decisão política e é uma boa oportunidade para aferir o peso dos grandes grupos económicos nessas decisões, agora que se levanta uma nova questão de fundo, a da possibilidade, ainda que especulativa, de um bloco central.

A esse propósito, Marcelo Rebelo de Sousa, um destacado militante social-democrata, defendeu recentemente que, caso José Sócrates e o PS não tenham maioria absoluta nas próximas legislativas, poderão recorrer a Manuela Ferreira Leite e ao PSD para formar Governo. Segundo o mesmo, o "arranjo" tem o beneplácito de muitos empresários. O Congresso do PSD, que se realiza este fim de semana em Guimarães, poderá trazer respostas mais concretas a esta questão.

Seja como for, Portugal e o Mundo têm forçosamente de se adaptar à nova realidade económica, e energética, em que os preços dos combustíveis devem manter-se altos e procurar alternativas.

A par deste quadro económico preocupante, é tendencial o agravamento dos problemas sociais a curto prazo, pelo que aos Governos, compete hoje, mais do que ontem, a adopção de rápidas medidas nessa vertente.

Aguardemos para ver, o lendário idealismo de Robin dos Bosques, que tirava aos ricos para dar aos pobres, ainda nos pode ser útil, num momento onde as sociedades capitalistas não têm, comprovadamente, conseguido responder à galopante degradação social.