sábado, 31 de maio de 2008

FERREIRA LEITE PRESIDENTE DO PSD

A nova líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, teve 37,66% dos votos, mais 6% do que Pedro Passos Coelho (31,07%). Pedro Santana Lopes, o terceiro mais votado, teve 29,82%, e Mário Patinha Antão ficou abaixo de 1%.

Votaram nas directas 43.900 militantes do PSD, tendo a abstenção atingido os 43%.
«Cessam as minhas funções como líder parlamentar», afirmou Pedro Santana Lopes no discurso da derrota, dizendo-se indisponível para liderar a bancada quando discorda das posições da líder do partido.

«Ferreira Leite tem inteira legitimidade para liderar o partido», afirmou, no entanto, Santana Lopes no discurso de derrota, lembrando que o facto da candidata não conseguir uma maioria absoluta nada interfere com a sua eleição.

Santana Lopes felicitou ainda Passos Coelho, o segundo candidato mais votado, pelo «resultado significativo» e lembrou ainda Mário Patinha Antão, e o «esforço que fez na campanha».

DIA D NO PSD - FERREIRA LEITE OU PASSOS COELHO?

Hoje é o dia D no PSD. Hoje os militantes vão às urnas fazer a sua escolha do próximo líder do partido, aquele que terá que enfrentar os difíceis desafios eleitorais do próximo ano. Não menos importante, o próximo líder deverá ser aquele que demonstrou maior capacidade para agregar um partido dividido, um partido amorfo, um partido que «não passa» para a sociedade civil. Um partido que vem de uma liderança atípica e populista, que condicionou o potencial eleitoral a curto prazo, sendo desejável que não seja mal suficiente para o condicionar a médio e longo prazo.

Por isso continuo a acreditar com toda a convicção que Manuela Ferreira Leite é aquela que reúne mais capacidade para essa tarefa. É a mais respeitável, a que tem mais peso específico político, a que possui um nível mais elevado de credibilidade, mas é acima de tudo aquela que vai mais ao encontro do PSD social-democrata, aquela que mais e melhor se identifica ideologicamente com a génese ideológica do Partido, como aliás demonstrou ao longo desta campanha.

Sob o ponto de vista do idealismo, assistimos na verdade a uma disputa bipartida : por um lado Manuela Ferreira Leite na defesa de uma matriz social-democrata ; por outro Pedro Passos Coelho numa toada mais social-liberal, ainda que com alguns exageros nesse liberalismo confesso. Quanto à candidatura de Pedro Santana Lopes, foi a mais anfíbia, a mais atípica, aquela que tentou ser ideologicamente mais tudo e que foi a mais nada, ao estilo aliás do próprio.

É por isso que hoje ao votarem, será legítima a alguns militantes a dúvida entre a opção por Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho.

INQUÉRITO - ELEIÇÕES NO PSD

É com satisfação que vejo, mais uma vez, que se regista uma assinalável participação nos inquéritos deste blog. Fico contente. Já vem sendo tradicional e tem sido uma falta minha não ter feito qualquer comentário aos inquéritos já fechados. O tempo não dá para tudo e prometo que oportunamente me debruçarei sobre essa questão.

Também me confesso surpreendido pela extraordinária subida de Pedro Santana Lopes nas intenções de voto dos leitores do Golegã XXI. Várias conclusões se poderão retirar de tão súbita e repentina adesão à causa «santanista» (se é que isso existe).

Essas, caros leitores e participantes, deixo-as à vossa consideração.

AS ELEIÇÕES NO PSD E OS TELEMÓVEIS

Assim é.

Associadas às eleições no PSD estão os lucros das operadoras de telecomunicações móveis, tal é a densidade de SMS's e telefonemas de última hora, para garantir mais um voto para a sua candidatura.

Empenhado na eleição da Drª Manuela Ferreira Leite que, espero, saia vencedora das eleições de amanhã, também fiz naturalmente algumas chamadas e alguns contactos com militantes, no sentido de os sensibilizar para a liderança, na minha opinião, que o PSD necessita. Para a importância nevrálgica dessa eleição no futuro próximo daquele que é o «meu» Partido desde 1989.

Presumo que nos outros partidos (aqueles que têm eleições livres) se passe mais ou menos a mesma coisa.

Mas os SMS´s e as chamadas de última hora também têm servido para outro tipo de política, a que não conheço, não pratico e com a qual não pactuo.

Todas as minhas posições, goste-se ou não delas, têm um rosto e uma assinatura. O meu rosto e o meu nome. Tudo o que tenho escrito aqui (pela razão principal de que tenho esse direito e, não menos importante, porque quero) já o disse no local próprio sem qualquer espécie de constrangimento. E não vi, nessa altura SMS´s e chamadas de última hora.

Os telemóveis hoje são muito pequeninos. Mas continua tanta gente a esconder-se por detrás deles...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

POLO DA FUNDAÇÃO SARAMAGO EM AZINHAGA

O Pólo da Fundação José Saramago irá funcionar num edifício da Junta de Freguesia de Azinhaga, no Largo da Praça que já foi prisão, registo civil, leitaria e sede da Junta até meados da década de 1980 e será inaugurado amanhã, 31 de Maio, sendo que para o evento está garantida a presença do escritor.

O Pólo irá funcionar como livraria, café, espaço internet e casa-museu com algum espólio do escritor. Por outro lado, irá receber todas as obras de José Saramago e a respectivas traduções nas várias línguas.

A sede da Fundação José Saramago será partilhada por Lisboa e Lanzarote, onde o escritor vive, e terá um Pólo na Azinhaga e um outro em Castril, Granada, terra natal de Pilar del Rio.

A recepção na Junta de Freguesia às entidades oficiais com a presença do Rancho Folclórico “Os Campinos” da Azinhaga e a Sociedade de Recreio Musical Azinhaguense 1º de Dezembro está marcada para as 15h30. Segue-se a assinatura de protocolo de geminação entre a Azinhaga, Tias (Lanzarote) e Castril (Granada). Depois, terá lugar a homenagem da Assembleia de Freguesia com a adopção de Pilar del Rio, como filha da Azinhaga e descerramento da placa toponímica “Rua Pilar del Rio”.

Mais tarde, pelas 18 horas, no Largo do Miradouro, será apresentado o apontamento de teatro “O que fazemos com estes livros José?” e o recital “Herdeiros da voz de Saramago”, pelos alunos da Escola EB Mestre Martins Correia.A inauguração do pólo da Fundação José Saramago está marcada para as 18h45, a que se segue um lanche.

À noite, pelas 22 horas, no Pátio do Arnado, realiza-se uma largada de toiros.

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NA GOLEGÃ

Fruto de uma estratégia, em determinado sentido conseguida pelo poder local, foi-se criando um clima saudável e atractivo de captação de algum investimento imobiliário, que é inevitável reconhecer. A estratégia da auto-elevação da Golegã a "Capital do Cavalo" a par do dinamismo promocional do potencial da nossa terra, trouxeram de facto alguns investidores que viram aqui condições para implementar algumas iniciativas. Isso é inegável e mérito de quem promoveu e desenvolveu esta estratégia.

Destaca-se deste investimento o ramo imobiliário habitacional, começando a notar-se, até dado momento, alguma insistência na promoção de habitação colectiva, que entretanto parece esgotada. As habitações de carácter unifamiliar começaram também a aparecer com mais densidade, enquanto obras novas, sendo no entanto muitas destinadas a segunda habitação, tendo por isso um impacto temporal limitado na economia da vila, quer em receita directa e indirecta para o município, empresários da construção, etc. Já as actividades comerciais acabaram por ter ganhos meramente residuais, dado que as ocupações dos imóveis são sazonais e por pouco tempo.

Mas numa terra pouco habituada a variações imobiliárias, rapidamente se induziu a ideia de que tudo na Golegã veria exponencialmente aumentado o seu valor comercial, transportando-nos para uma esfera de especulação, até agora, quase incontrolável.

Até que os primeiros indícios apareceram, com os investidores a procurarem "casas velhas" e pequenas, para poderem ter a sua segunda habitação na Capital do Cavalo a custos bem mais moderados, o que fez disparar também os valores "comerciais" de imóveis altamente desvalorizados, pelas suas características diversas.

O Município decidiu não alterar a sua estratégia, o clima especulativo manteve-se inalterado. Só que o "mercado" na vila é curto, a população não cresce e os activos procuram outras paragens, também devido, diga-se, à actual conjuntura económico-social que se vive no País. Este êxodo não é naturalmente exclusivo ao nosso Concelho, mas a quase todos com caracterização similar, quer económica, quer ao nível da sua interioridade e falta de dinamização empresarial.

O esgotamento do mercado associado a um clima demasiado hostil em termos económicos, em especial num Concelho com uma classe média reduzida, levou a que o investimento imobiliário abrandasse, mantendo-se ainda assim, como quem espera por uma solução salvítica milagrosa, o clima de alta especulação.

"Pedem-se" já hoje valores superiores a 250,00€/m2 por "lotes" altamente limitados sob o ponto de vista da confrontação com edificações existentes, tornando difícil a promoção de habitação com uma integração minimamente cuidada. Sei até das tais "casas velhas" que já se pretendem vender por valores superiores a 500,00€/m2, cujo estado de degradação é tal, que só uma demolição total permite uma qualquer solução para novo aproveitamento.

Mais grave, transaccionam-se terrenos em zona industrial acima dos 50,00€/m2 (!!), que retira a qualquer investidor todas as veleidades que possa ter em instalar aqui o seu negócio.

Este clima de especulação que teima em persistir e que nos retira competitividade em relação aos "mercados" análogos de Concelhos limítrofes, alguns mais dotados de condições de "atracção" de nova população, não só meramente geracional, mas também de carácter migratório.

Hoje e apenas por curiosidade comparativa, fica mais barato adquirir um lote na Urbanização do Bonito no Entroncamento do que na área urbana da Golegã, com todas as condições que um e outro espaço possam proporcionar aos seus novos habitantes, bem como as estruturas diversas de proximidade, como seja acessos rodoviários, ferroviários, comerciais, empresariais, industriais, serviços, etc. Ainda admitiria este clima especulativo, caso fosse provocado por uma redução da oferta e simultânea manutenção dos níveis de procura, relação que normalmente conduz a uma situação dessa natureza. Mas infelizmente não é o caso.

Este "fenómeno" permitirá seguramente dois tipos de leitura sob o ponto de vista político e estratégico: por um lado irão alguns dizer que a especulação é fruto de uma incessante procura e que traduz a valorização da estratégia de desenvolvimento promovida e ainda que aos governos locais não cabe a regulação dos mercados, livres, imobiliários, de iniciativa privada; outros acharão que a estratégia de desenvolvimento seguida nos últimos anos, com charme mas sem um imprescindível suporte ao nível da promoção do tecido económico, estará gasta e necessita de um rápido «redireccionamento» na procura de equilibrar os «pratos da balança».

Cada um terá a «sua verdade».

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O INTÉRPRETE. RECOMENDÁVEL.


O passado fim de semana, nas raras oras de ócio, aproveitei para colocar alguma leitura em dia e tive a oportunidade de ler "O intérprete", um magnífico relato de Daoud Hari sobre o genocídio no Darfur.

Um relato arripiante sobre o horrível genocídio no Darfur, por um sudanês que escapou a um ataque à sua aldeia e é intérprete para várias entidades, como o New York Times e a BBC.

Um retrato ainda que ligeiro, que nos faz "voar" ao Darfur e "viver" por umas horas o cenário de horror (des)humano naquelas longínquas paragens.

Altamente recomendável.

MANDATÁRIO ESQUECE-SE DAS QUOTAS

O mandatário da secção da Golegã da candidatura de Pedro Passos Coelho, que confesso desconhecer quem é, sabendo apenas que se chama Armando Rebelo, fez questão de enviar uma carta a todos os militantes desta secção, dando conta da sua função e apresentando as ideias chave do seu candidato.

Ainda num clima de confissão, admito ter ficado surpreendido, por com tantos anos de militância nunca ter conhecido aquele que foi escolhido como mandatário dessa candidatura.

Mas o mais engraçado da questão, é que o mandatário não aparece nos cadernos eleitorais e, por isso, logicamente não vai poder exercer o seu direito de voto, ajudando a eleger o seu candidato!

Ter-se-á esquecido de pagar as quotas?

SONDAGENS "DÃO" VITÓRIA A FERREIRA LEITE

Sondagens recentes apontam para uma vitória clara de Manuela Ferreira Leite no próximo sábado, na corrida à liderança do PSD.

À pergunta «Quem tem mais hipóteses de vencer eleições a Sócrates? (Apenas eleitores do PSD)», o resultado foi o seguinte:

Manuela Ferreira Leite: 64,1%
Santana Lopes: 20%
Pedro Passos Coelho: 5,8%~
Mário Patinha Antão: 1,6%
António Neto da Silva: 0,1%
Outro nome: 0,3%
Indiferente: 1,5%
Sem opinião: 6,6%

Segundo a sondagem, a maioria dos portugueses (total da amostra) também acredita que Ferreira Leite é quem tem mais hipóteses de vencer as legislativas entre os cinco candidatos: 52,5% dos inquiridos apontam o seu nome. Com uma diferença de 29 pontos percentuais está Santana Lopes. Passos Coelho, que tem sido apontado dentro do PSD como um candidato que mobiliza muitos apoios, fica-se pelos 7,8%. Recorde-se que o ex-líder da JSD nunca teve funções em governos. A sua candidatura não comenta esta sondagem.

É importante perceber pois que além da simples escolha do líder do Partido, os militantes poderão também estar a escolher o potencial Primeiro-Ministro de Portugal.

À pergunta «Quem é o melhor candidato? (Nesta pergunta não foi sugerido qualquer nome - Eleitores do PSD), os resultados foram os seguintes:

Manuela Ferreira Leite: 40,8%
Santana Lopes: 13,2%
Alberto João Jardim: 7,5%
Luís Filipe Menezes: 4,5%
Pedro Passos Coelho: 3%
Marcelo Rebelo de Sousa: 2,5%
Cavaco Silva: 1%
Outro nome: 4,1%
Sem opinião: 23,4%

Agora há que concretizar esta projecção. Todos não serão demais na sua contribuição para a eleição de Manuela Ferreira Leite.

Por Portugal. Pelo PSD.

terça-feira, 20 de maio de 2008

MUNÍCIPIOS INVENTAM NOVA TAXA

Foi com satisfação e sensação de justiça, tardia mas com um enquadramento de tolerância no nosso, bem lusitano "antes tarde que nunca", que tomei conhecimento da abolição da tarifa de aluguer do contadores da água, da electricidade e do gás.

Um diploma que foi publicado na edição de 26 de Fevereiro de 2008, do Diário da República veio corrigir uma absurda, incompreensível e injusta situação, uma vez que falamos de serviços de necessidade básica, ainda por cima em mercados sem concorrência. A água paga-se à Câmara, a "luz" à EDP e o gás à concessionária da zona. Ponto.

Como não há bela sem senão, a minha satisfação foi sol de pouca dura. Eis senão quando, a coberto de prerrogativas administrativas discutíveis, é criada uma coisa, acho que chamada de "taxa de disponibilidade da água", que, basicamente deixa tudo na mesma.

Por outras palavras: é ilegal taxar o contador da água (e os outros), devido ao justo entendimento de se tratar(em) de serviço(s) de necessidade básica; solução: chama-se outro nome à taxa e o sentido de ilegalidade fica camuflado; resultado: pagamos todos o mesmo.
Como ver uma luz ao fundo do túnel é aguardar que a legalidade desta medida seja desmontada, "agarrando-me" com fé às palavras do o secretário de Estado da Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro, "A questão que eu coloco é de a mera substituição de uma taxa de aluguer que servia para amortizar o contador por outra taxa que tenha como objectivo amortizar a construção, conversação e manutenção da rede".

Percebo que as Câmaras Municipais se debatam com dificuldades de carácter financeiro e que tenham forçosamente que procurar com criatividade fontes de receita. Mas em nós, os anónimos consumidores, quem pensa? Quem compreende? Não chega já a enorme carga fiscal, contributiva, etc?

Enquanto se continuar a olhar para as receitas como soluções de todos os males (financeiros), e se continuar a desprezar a redução do peso das máquinas administrativas do Estado, há-se sempre sobrar para nós.

Sempre.